A história do Patchwork
O trabalho manual sempre esteve presente
no dia-a-dia dos povos desde seus primórdios. Por meio do artesanato,
verificamos as tradições e os costumes regionais de uma época e
localidade.
A origem do patchwork e quilt
é muito antiga. Existem registros desde 3400 a.C. Sua história nos
mostra que a costura e os bordados já estavam presentes nas antigas
civilizações do Egito, Pérsia, Índia e China, verificados,
principalmente, nos acolchoados (quilts) encontrados nas tumbas de reis e rainhas dessa época, bem como nos desenhos registrados nas pirâmides com faraós usando uma vestimenta similar ao patchwork.
Mas, foi na Europa Ocidental (Inglaterra, Alemanha, França e Itália), durante o século XVI (Cruzadas), que o trabalho do patchwork
se desenvolveu mais fortemente. As roupas utilizadas por soldados
embaixo das armaduras de ferro eram feitas com restos de tecidos. Nessa
época, verifica-se que o patchwork tinha um caráter somente utilitário: ou para se usar como roupa ou para se proteger do frio intenso (colchas ou cobertores).
Fugindo das perseguições religiosas que
sofriam na Europa, em meados do século XVII, os peregrinos e imigrantes
ingleses colonizaram e desbravaram a América do Norte, levando, nas
malas, para o Novo Mundo, suas colchas (seus quilts) e a tradição familiar do patchwork.
Estes colonizadores eram extremamente
rígidos com suas esposas. Eles somente lhes permitiam sair de casa em 2
situações: para irem à igreja ou para irem às reuniões de quilteiras, chamadas de quilting bees.
Os homens dessa época acreditavam que,
se suas mulheres estivessem sempre com “as mãos ocupadas” fazendo
colchas, não haveria espaço para maus pensamentos em suas cabeças.
Foi nesse momento da história que o patchwork foi difundido como uma técnica artesanal eminentemente feminina e de tradição familiar, pois as quilting bees eram a única forma de socialização
dessas mulheres. Elas passavam horas e horas juntas, conversando,
debatendo e transformando os encontros em momentos longos e duradouros
de liberdade de expressão, já que a figura masculina não estava
presente.
Como as quilteiras permaneciam muitas horas em reunião, a técnica do patchwork
começou a ganhar aperfeiçoamentos. Cada vez que se encontravam, essas
mulheres não queriam somente costurar uma simples colcha de retalhos,
mas também começavam a estudar e a criar novas técnicas de desenhos e
padronagens. Tudo isso para que os trabalhos demorassem mais tempo para
finalizar, proporcionando mais horas de socialização das mulheres nas quilting bees.
Os quilts (as colchas)
resultantes dessas reuniões expressavam todos os sentimentos mais
íntimos, os desejos, as angústias e posições políticas dessas mulheres.
Assim, aos poucos, o patchwork e o quilt passaram a ter, além do caráter utilitário que já possuíam, também o caráter decorativo e ornamental.
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